Melhor maquininha para autônomo: como comparar taxas e descobrir qual compensa
Compare taxas de SumUp, Ton, Mercado Pago e PagBank e aprenda a calcular o custo real da maquininha conforme seu faturamento e forma de receber.

A melhor maquininha para autônomo não é necessariamente a que anuncia a menor taxa. A escolha certa depende de quanto você vende por mês, quanto desse faturamento entra no débito, crédito à vista, parcelado e Pix, em quanto tempo precisa receber e se a maquininha exige celular ou funciona sozinha.
Para não cair na armadilha da taxa promocional, este comparativo usa uma regra simples: olhar primeiro para o custo recorrente depois da promoção e só depois para o preço do aparelho. As taxas abaixo foram consultadas em 3 de outubro de 2026 nos sites oficiais das empresas e podem mudar; por isso, confirme sempre a sua faixa no app antes de contratar.
Melhor maquininha para autônomo: compare o seu custo real, não a propaganda
Uma taxa de 0,57%, 0,74% ou 0% chama atenção, mas muitas ofertas valem apenas nos primeiros 30 dias ou até determinado volume de vendas. O que define o custo real do seu negócio é a taxa aplicada depois da fase promocional e de acordo com o seu faturamento.
A fórmula básica é:
Custo mensal da maquininha = vendas no débito × taxa do débito + vendas no crédito × taxa do crédito + vendas parceladas × taxa do parcelado + custos fixos do equipamento.
Se você vende R$ 5 mil por mês, uma diferença de apenas 0,50 ponto percentual representa R$ 25 por mês, ou R$ 300 por ano. Em faturamentos maiores, a diferença cresce rápido.
Taxas atuais: SumUp, Ton, Mercado Pago e PagBank
Para deixar a comparação mais justa, vamos olhar primeiro para débito e crédito à vista, que são duas modalidades comuns entre autônomos. As condições abaixo são referências públicas para faixas próximas de R$ 5 mil mensais e recebimento rápido.
| Opção | Débito | Crédito 1x | Pix | Observação |
|---|---|---|---|---|
| SumUp | 0,99% | 3,49% | 0% | Faixa anunciada para até R$ 20 mil com recebimento na hora |
| Ton Mega+ | 1,43% | 3,36% | 0% com chave cadastrada | Faixa de R$ 3 mil a R$ 6 mil, recebimento na hora |
| Mercado Pago Point | 1,50% | 3,48% | 0,49% | Faixa de R$ 3 mil a R$ 6 mil |
| PagBank | 1,99% | 4,99% | 0% promocional | Taxas iniciais divulgadas para recebimento na hora |
A SumUp informa Pix gratuito, débito a 0,99% e crédito à vista a 3,49% para a faixa exibida de até R$ 20 mil com recebimento na hora. Já o plano Ton Mega+ trabalha com faixas de faturamento: entre R$ 3 mil e R$ 6 mil, a tabela oficial mostra 1,43% no débito e 3,36% no crédito à vista para recebimento na hora.
O Mercado Pago também reduz taxas conforme o volume. Na faixa de R$ 3 mil a R$ 6 mil, a tabela pública mostra 1,50% no débito, 3,48% no crédito à vista e 0,49% no Pix. No PagBank, a página de taxas exibe 1,99% no débito e 4,99% no crédito à vista para recebimento na hora, além de condições promocionais no Pix.
Exemplo 1: quem vende R$ 5 mil por mês meio a meio
Imagine um autônomo que vende R$ 5.000 por mês no cartão, sendo R$ 2.500 no débito e R$ 2.500 no crédito à vista.
| Opção | Custo estimado no mês | Quanto sobra dos R$ 5 mil |
|---|---|---|
| SumUp | R$ 112,00 | R$ 4.888,00 |
| Ton Mega+ | R$ 119,75 | R$ 4.880,25 |
| Mercado Pago | R$ 124,50 | R$ 4.875,50 |
| PagBank | R$ 174,50 | R$ 4.825,50 |
Nesse cenário específico, a SumUp ficaria com o menor custo mensal entre as quatro condições comparadas. Isso não significa que ela seja universalmente a melhor: basta mudar o perfil das vendas para o resultado mudar.
Exemplo 2: quando quase tudo é crédito à vista, o resultado pode virar
Agora imagine os mesmos R$ 5.000 mensais, mas com 80% no crédito à vista e apenas 20% no débito.
Com as taxas acima, a estimativa fica em aproximadamente R$ 149,50 na SumUp e R$ 148,70 no Ton. A diferença é pequena, mas já mostra o ponto central deste artigo: uma opção que era mais barata no primeiro cenário deixou de ser a menor quando o mix de pagamentos mudou.
Por isso, antes de escolher, pegue o extrato dos últimos 30 a 90 dias — ou faça uma estimativa realista — e descubra quanto do seu faturamento entra em cada modalidade.
O parcelado pode mudar completamente a conta
Para muitos autônomos, o maior custo não está no débito nem no crédito à vista, mas no parcelamento. Serviços de maior ticket, como estética, manutenção, cursos, móveis planejados, fotografia, saúde e prestação de serviços profissionais, podem ter uma parcela relevante das vendas dividida em várias vezes.
Se você vende R$ 2.000 por mês no parcelado, cada 1 ponto percentual de diferença na taxa representa R$ 20 por mês. Em um ano, são R$ 240. Uma diferença de 5 pontos já representa R$ 1.200 no período.
O Ton, por exemplo, divulga uma tabela específica por número de parcelas e faixa de faturamento; o Mercado Pago também apresenta taxas progressivas conforme o volume. Já SumUp e PagBank oferecem simuladores para calcular o valor líquido. A comparação correta precisa usar exatamente o número de parcelas que seus clientes costumam escolher.
Promoção de 30 dias pode enganar a comparação
Ton, Mercado Pago, PagBank e SumUp usam promoções de entrada em diferentes formatos. Isso pode ser ótimo para começar, mas não deve ser o principal critério.
Se uma maquininha oferece taxa muito baixa no primeiro mês e depois cobra mais que outra durante os onze meses seguintes, o desconto inicial pode ter pouco peso no custo anual.
Uma forma simples de evitar esse erro é comparar:
- custo no primeiro mês;
- custo nos 11 meses seguintes;
- custo anual total;
- quanto a taxa muda quando seu faturamento sobe ou cai.
O preço da maquininha também entra na conta — mas costuma pesar menos
Entre modelos de entrada, o custo do aparelho pode variar bastante. O Mercado Pago anuncia a Point Mini NFC em torno de R$ 25,90 em determinadas ofertas; o PagBank mostra a Minizinha Chip 3 por R$ 47,88 à vista; o Ton exibe a T2 por aproximadamente R$ 49,88; e a SumUp anuncia modelos a partir de parcelas de R$ 4,90.
Esses valores mudam com promoções, então não vale decidir por uma diferença de R$ 20 no aparelho se a taxa por venda pode gerar centenas de reais de diferença ao longo do ano.
O que importa é amortizar o equipamento. Se uma maquininha custa R$ 60 e você pretende usá-la por dois anos, isso representa apenas R$ 2,50 por mês. Uma diferença de 0,50 ponto percentual em R$ 5 mil de vendas custa dez vezes isso.
Maquininha que precisa de celular ou independente?
O custo também precisa considerar a rotina de trabalho. Uma maquininha muito barata pode depender de Bluetooth e do celular. Isso pode funcionar perfeitamente para quem atende poucos clientes, mas pode atrapalhar quem passa o dia fazendo vendas em sequência.
A Point Mini, por exemplo, usa o celular para operar. Já modelos com chip e Wi-Fi próprios, como a Minizinha Chip 3, evitam essa dependência. Se perder uma venda por falta de bateria, conexão ou pareamento for um risco real no seu trabalho, pagar um pouco mais pelo equipamento pode fazer sentido.
Prazo de recebimento: taxa menor pode custar caro no caixa
Algumas empresas oferecem taxas menores se você aceitar receber em 14 ou 30 dias. Isso pode ser vantajoso se o seu negócio tem caixa suficiente.
Mas se você precisa do dinheiro amanhã para comprar material, combustível ou estoque, receber mais tarde pode obrigar a usar cartão, cheque especial ou outra linha de crédito. Nesse caso, economizar 0,50 ponto percentual na maquininha e depois pagar juros altos para financiar o capital de giro não faz sentido.
O prazo deve ser comparado com o seu fluxo de caixa, não isoladamente.
Como montar sua própria comparação em 5 minutos
- Anote seu faturamento mensal médio no cartão.
- Separe quanto entra em Pix, débito, crédito à vista e parcelado.
- Veja sua faixa de faturamento em cada empresa.
- Multiplique o valor de cada modalidade pela taxa correspondente.
- Some o custo mensal e depois acrescente o preço do equipamento dividido pela vida útil esperada.
Exemplo: se você vende R$ 3.000 no crédito à vista e a taxa é 3,49%, o custo é R$ 104,70. Se outra cobra 3,36%, o custo cai para R$ 100,80. A economia mensal é R$ 3,90 — pequena. Talvez um recurso operacional melhor valha mais do que essa diferença.
Qual maquininha compensa para cada perfil?
Para quem vende um mix equilibrado de débito e crédito e quer recebimento rápido: a SumUp aparece competitiva nas taxas públicas atuais do cenário que simulamos.
Para quem concentra grande parte das vendas no crédito à vista: o Ton pode ficar mais competitivo, porque sua taxa de crédito na faixa analisada é ligeiramente menor.
Para quem já usa Mercado Pago e Mercado Livre: a integração do ecossistema, conta e ferramentas pode ter valor operacional, mesmo que a menor taxa não apareça em todos os cenários.
Para quem valoriza opções diferentes de prazo e uma estrutura bancária ampla: o PagBank oferece várias combinações de recebimento e modelos de maquininha; vale simular principalmente quando você consegue esperar 14 ou 30 dias.
Essas conclusões não são um ranking permanente. Taxas, campanhas e faixas mudam. O método é mais importante que o resultado de hoje.
Checklist antes de comprar
- Qual é sua taxa depois da promoção?
- Qual é sua faixa real de faturamento?
- Quanto você vende no débito, crédito à vista e parcelado?
- Em quantas parcelas seus clientes normalmente compram?
- Você precisa receber na hora?
- A maquininha precisa funcionar sem celular?
- Você precisa imprimir comprovante?
- Quais bandeiras e vouchers precisa aceitar?
- Há custo de aluguel, adesão ou mensalidade?
- Quanto custa o aparelho diluído por mês?
Conclusão: a melhor maquininha é a que deixa mais dinheiro no seu caixa
Para um autônomo, escolher maquininha não deveria ser uma disputa de propaganda. A melhor opção é a que entrega o menor custo total para o seu jeito de vender, com prazo de recebimento compatível com o seu caixa e recursos suficientes para não perder vendas.
No exemplo de R$ 5 mil mensais com metade no débito e metade no crédito à vista, a SumUp ficou com o menor custo entre as condições consultadas. Quando o crédito passou a representar 80% das vendas, o Ton ficou ligeiramente mais barato. Essa mudança pequena já prova por que olhar somente a taxa destacada no anúncio não basta.
Faça a conta com o seu faturamento antes de comprar. E repita a comparação a cada alguns meses: uma maquininha que hoje é competitiva pode deixar de ser a melhor quando seu volume de vendas ou as tabelas de taxas mudarem.